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A Voz do Pastor › 12/01/2022

JESUS É O “VINHO NOVO”

O Evangelho deste final de semana, (Jo 2,1-11) segundo domingo do tempo comum, traz o conhecido relato das bodas de Caná. É uma festa de casamento onde Jesus, Maria, sua mãe e os discípulos estão presentes. Os detalhes difíceis de explicar como históricos são indícios de que o relato tem sentido figurado. “No terceiro dia”: dois dias antes, Jesus estava onde João batizava, a mais de 150 quilômetros da Galileia. “A mãe de Jesus estava lá; Jesus, com os discípulos, é convidado”: além de chamar sua mãe de mulher, como se fosse a esposa, Jesus quer distância dela e alude à sua hora, a hora da cruz. E mais: a mãe de Jesus dá ordem aos que servem! Talhas de pedra, destinadas às abluções rituais, em número de seis, depositadas vazias numa casa particular! Os convidados (quantos?), já meio embriagados, terão mais seiscentos litros de vinho! O responsável pelo serviço da mesa chama o noivo para cobrar por que deixou o vinho melhor para o fim! Tentar justificar historicamente cada detalhe desses seria o mesmo que se empolgar com o pacote, sem se importar com o conteúdo. O Evangelho de João só fala em sinais de Jesus, nunca em milagres. É preciso ver os sinais, o significado das figuras, o espírito.

Assim, “terceiro dia” lembra o dia da aliança do Sinai. A palavra Caná, significa conquistar, adquirir. Cananeus são os homens do comércio, e Deus é chamado também de “El Caná”, Deus ciumento. O evangelista não fala em Maria. “Mãe de Jesus” aí não é apenas ela, mas toda a parte fiel da primeira aliança, de onde veio Jesus. Ela estava lá porque representa a esposa fiel desse primeiro casamento entre Deus e o povo. Os discípulos de Jesus nem todos são filhos desse primeiro casamento, há alguns que não são judeus; por isso, com Jesus, são convidados. A esposa fiel da primeira aliança, a “mãe de Jesus”, será também esposa da nova aliança. Jesus é o esposo e por isso a chama de “mulher” aqui, como vai chamá-la de mulher na sua hora, na cruz. As seis talhas (número incompleto) indica que está faltando alguma coisa. As talhas são de pedra, como os mandamentos da primeira aliança foram escritos na pedra. No tempo de Jesus, porém, foram transformados em ritualismo vazio, em rituais de purificação que nada purificam. Enchendo as talhas até em cima (como encontrar 600 litros de água numa região tão ou mais seca do que o semiárido nordestino não interessa), aquela água se transforma em vinho.

A água se transforma em vinho que aquece e embriaga, dá força interior e ousadia para viver a nova lei, o amor. “os que servem”, os que obedecem à “mãe de Jesus”, sabem de onde veio aquele vinho tão bom. Quando o chefe do serviço convoca o noivo para chamar-lhe a atenção sobre a distribuição do vinho, o evangelista só falta dizer que o noivo é Jesus e que os chefes do judaísmo de então não o entenderam, não viram que Jesus trazia o vinho melhor, a lei interior, a capacidade de amar como ele amou, único mandamento da nova aliança.

 

Pe. Leonir Alves

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